Faz pouco tempo uma amiga me disse que eu era uma pessoa de muita sorte. Não havia nem uma semana que eu tinha perdido o emprego e ainda por cima cheio de dívidas, e por isso supus que ela estava de gozação com minha cara desempregada. Perguntei de algum fato concreto que a corroborasse, e ela não soube me responder, argumentando que era somente uma intuição. Também não insisti.
Mas como sempre acontece comigo, alma obsessiva e dada à reflexão, fiquei com aquilo na cabeça, renitente. Até perceber que eu, também intuitivamente, concordava com ela.
Isto porque veio a mim que nos últimos tempos, a cada pancada na cabeça que a vida me dá, eu agradeço e em seguida na minha consciência surge um “que cara de sorte eu sou”. Parece mecanismo de fuga, mas não é isso, já que sempre fui lúcido. E não é por que eu acho que poderia ser pior, e que ao invés de só perder o emprego eu ainda poderia ter sido humilhado, ou que além de ter me decepcionado eu poderia ter sido traído. Então não é complexo de Poliana, tampouco.
Não, não é nada disso. Mas então o que é?
Mais uma vez, divagar sobre o significado das palavras me deu a resposta que buscava. Ontem de tarde, fazendo supermercado, o pensamento me surgiu, límpido: em francês se diz “bonne chance” quando se deseja boa sorte para alguém! Bingo: ter sorte é ter chances; e claro que toda chance é uma oportunidade! Matei: sorte = chance = oportunidade!
Resolvido o substantivo, fui excitado em busca do verbo: compreendi que no meu caso não é “ter”, mas “haver”. Pois não é que eu “tenha” sorte, um acordo tácito que fiz com o universo para ele me ajudar; na verdade “há” hoje algo dentro de mim, uma peculiar faculdade, que me faz encarar as vicissitudes como desafios a vencer e não problemas a sofrer.
E isto torna minha vida imensamente divertida de usufruir, já que adoro colocar para trabalhar os meus recursos intelectuais e emocionais para tirar o melhor das situações ruins nas quais sou metido (ou me meto).
Diz o ditado que “para mal jogador, até a bola atrapalha”. Para mim, que gosto de me acreditar um bom jogador, agora toda bola dividida é chance de gol.
Foto Principal
Foto: Mariana de Carvalho. Oxford, Abril 2010
Oscar Wilde
Oscar Wilde de Hoje (e Sempre)
"a man who moralizes is usually a hypocrite, and a woman who moralizes is invariably plain"
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Through the Looking Glass
Sempre achei que as referências culturais e afetivas distorciam a percepção da realidade, e que deveríamos ter um olhar puro e imaculado sobre o que víamos. Por isso, pensava que falsearíamos a realidade quando, por exemplo, a olhássemos através de uma câmera fotográfica.
Agora vejo que a realidade totalmente objetiva é inapreensível, já que inexistente. E ela não existe porque o olhar é filtrado pelos sentimentos que são associados ou despertados pelo que vemos. O olho é sempre engajado, e é melhor que seja pelas lentes da estética e da emoção.
Ter uma multiplicidade de referências estéticas complexas permite ver o mundo com uma riqueza e um refinamento que ele talvez nem possua concretamente. Este olhar educado apreende com mais profundidade as diversas harmonias que existem entre as coisas, muitas aparentemente banais. E se você sempre busca ao seu redor elementos fotografáveis, esta percepção matizada torna o simples ato de “ver o mundo” algo muito prazeroso e estimulante. Olhar o mundo através de uma lente agora já não falseia a realidade, mas a enriquece, elabora, purifica e aperfeiçoa.
A arte consiste em recriar o mundo, e não em imitá-lo. E a fotografia nos induz ao engano com muita facilidade, pois finge documentar a realidade, mas a composição de luz, ângulo, cores e planos na verdade a recria. A fotografia aparenta ser um retrato da realidade quando é técnica e abstração: uma arte que finge ser apenas reprodução.
Agora vejo que a realidade totalmente objetiva é inapreensível, já que inexistente. E ela não existe porque o olhar é filtrado pelos sentimentos que são associados ou despertados pelo que vemos. O olho é sempre engajado, e é melhor que seja pelas lentes da estética e da emoção.
Ter uma multiplicidade de referências estéticas complexas permite ver o mundo com uma riqueza e um refinamento que ele talvez nem possua concretamente. Este olhar educado apreende com mais profundidade as diversas harmonias que existem entre as coisas, muitas aparentemente banais. E se você sempre busca ao seu redor elementos fotografáveis, esta percepção matizada torna o simples ato de “ver o mundo” algo muito prazeroso e estimulante. Olhar o mundo através de uma lente agora já não falseia a realidade, mas a enriquece, elabora, purifica e aperfeiçoa.
A arte consiste em recriar o mundo, e não em imitá-lo. E a fotografia nos induz ao engano com muita facilidade, pois finge documentar a realidade, mas a composição de luz, ângulo, cores e planos na verdade a recria. A fotografia aparenta ser um retrato da realidade quando é técnica e abstração: uma arte que finge ser apenas reprodução.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Ofensa e Olvido
Sempre me acreditei partidário do “I forgive but I don´t forget” nas vezes que fui profundamente ultrajado ou ofendido. Perdôo pois não guardo rancor nem fico com maquinações: mastigo, engulo e digiro o mal feito a mim - e vida que segue. Mas não esqueço, pois se a oportunidade surgir, darei o troco, nem que demore 25 anos. Já me disseram que este é meu jeito de afirmar minha dignidade. Creio que sim.
Não sou de acreditar em coincidências, mas esta semana, na mesma terça-feira, encontrei-me com duas pessoas que me desrespeitaram muito; um no campo profissional, outra no amoroso. Um não dirigi a palavra, e não vou nem me dar ao trabalho de ir cuspir no seu caixão, até porque não gosto de pegar fila; a outra sentei e conversei, pois ela pareceu-me sinceramente arrependida, e zerar contas com alguém arrependido não carece de tanta grandiosidade: é relativamente fácil e deixa todo mundo feliz.
Pessoas diferentes, situações diferentes, uma só constatação: eu havia esquecido completamente o mal que eles me fizeram. Esquecido não no apagado da memória, pois se busco as lembranças, eu as encontro. Digo esquecido mas é na emoção, este vasto depositário de vivências, e o lugar que importa, porque é nele que se estabelecem o recalque, o trauma, a dor. Não falar com um e falar com a outra significaram o mesmo: eu não estou mais disponível para apanhar e sou sujeito dos meus atos e das minhas emoções. Sentir-se sujeito é descobrir-se livre, já que ser objeto de uma maldade nos dá a sensação de impotência e inferioridade (e suponho que o contrário, ser o seu agente, dá as sensações inversas de poder e superioridade; daí talvez o seu apelo para os fracos de espírito).
Aqui tomei consciência de meu erro: “eu perdôo mas não esqueço” não funciona, pois a espera do revide não nos recupera a dignidade. Esta não se conquista com a vingança, mas com o olvido, completo e verdadeiro.
Não sou de acreditar em coincidências, mas esta semana, na mesma terça-feira, encontrei-me com duas pessoas que me desrespeitaram muito; um no campo profissional, outra no amoroso. Um não dirigi a palavra, e não vou nem me dar ao trabalho de ir cuspir no seu caixão, até porque não gosto de pegar fila; a outra sentei e conversei, pois ela pareceu-me sinceramente arrependida, e zerar contas com alguém arrependido não carece de tanta grandiosidade: é relativamente fácil e deixa todo mundo feliz.
Pessoas diferentes, situações diferentes, uma só constatação: eu havia esquecido completamente o mal que eles me fizeram. Esquecido não no apagado da memória, pois se busco as lembranças, eu as encontro. Digo esquecido mas é na emoção, este vasto depositário de vivências, e o lugar que importa, porque é nele que se estabelecem o recalque, o trauma, a dor. Não falar com um e falar com a outra significaram o mesmo: eu não estou mais disponível para apanhar e sou sujeito dos meus atos e das minhas emoções. Sentir-se sujeito é descobrir-se livre, já que ser objeto de uma maldade nos dá a sensação de impotência e inferioridade (e suponho que o contrário, ser o seu agente, dá as sensações inversas de poder e superioridade; daí talvez o seu apelo para os fracos de espírito).
Aqui tomei consciência de meu erro: “eu perdôo mas não esqueço” não funciona, pois a espera do revide não nos recupera a dignidade. Esta não se conquista com a vingança, mas com o olvido, completo e verdadeiro.
domingo, 14 de novembro de 2010
Chaves
A verdadeira chave para abrir a mulher não é a que a leva para cama, pois esta intimidade física, a depender do grau de carência feminina, às vezes só necessita de ombros largos e uma conversa de pé de ouvido. A chave válida é aquela que a faz se revelar como pessoa e como mulher, complexa e paradoxal, desvelando a sua intimidade emocional profunda.
E você nota que a fechadura foi aberta quando ela, desconcertada, se percebe vulnerável; e meio perdida - meio maravilhada, descobre que estar indefesa pode ser muito bom.
E você nota que a fechadura foi aberta quando ela, desconcertada, se percebe vulnerável; e meio perdida - meio maravilhada, descobre que estar indefesa pode ser muito bom.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Manequins
Manequim: do francês manequin 'figurino', do holandês manneken, diminutivo de man 'homem'.
domingo, 24 de outubro de 2010
Sonhar, Viver, Sentir
Para o hinduísmo, o estado mais verdadeiro que vivemos é o sonho, pois é ele que nos liga ao mundo transcendental e que nos comunica com o infinito, saindo da materialidade mesquinha do dia-a-dia. O que nós chamamos de realidade, a vigília, para eles representa Maya, a ilusão.
Não cheguei a tanto, mas nos últimos tempos tenho valorizado bastante o Sonho. Não é apenas a evidente constatação de que o sonho influencia a vigília e vice-versa. Como quando o sonho lembrado define o estado de espírito de seu dia. Ou quando você vai dormir com um problema e sonha com ele. É a realização de que ambos são estados da mente igualmente autênticos e verdadeiros.
Para princípio de conversa, é muito simplório considerar a realidade desperta como a única válida somente porque podemos tocá-la: isto é coisa de gente materialista sem imaginação. Uma vez eu estava sonhando que voava sobre Florença, em um entardecer deslumbrante cheio de silêncio e cores. Percebi que sonhava e diante de tanta beleza e da sensação de liberdade infinita, pensei dentro do sonho: “se voar assim em sonho é tão bom, vou acordar para usufruir desta sensação na realidade, que é muito melhor”. Abri os olhos, percebi o teto e me disse: “seu e-s-t-ú-p-i-d-o, idiota: imbecil!”.
Ultimamente tenho aprendido muito com meus sonhos. Óbvio que não sou nenhum Kekulé, o químico que descobriu o formato do benzeno quando sonhou uma cobra que mordia o próprio rabo. O que eles têm me contribuído é de ordem emocional. Tive uns diálogos absolutamente plausíveis, que de tão concretos hoje os considero parte da minha experiência vivida, até porque não tinham nada de onírico ou fantástico. Neles eu conseguia interferir no desenrolar do sonho, escolhendo e pensando o que dizer, como se eu estivesse tendo conversas banais. Só que não eram banais: eram conversas que nunca tive com pessoas com as quais nunca mais falarei. Disse o que queria, fiz o que era preciso, e vi atitudes que sempre intuí que existiam, mas nunca havia presenciado. Alma apaziguada. Ponto final.
Agora, depois destas experiências, vejo que o sonho é de uma concretude emocional tão grande que posso assimilar este estado como tão objetivo quanto estar acordado. E isto serve também para sonhos mais descabelados e fabulosos, porque o que interessa não é o contexto ou a lógica (se bem que às vezes a falta de lógica é o melhor deles...). Meus sonhos são reais, pois eu os sinto. Logo, existem. E verdadeiramente eu compreendo que vivi aquilo, incorporando as emoções sentidas e fazendo-as parte da minha experiência de vida.
Eu acho sem graça buscar explicações para os sonhos. É empreitada demasiado racional, que esteriliza o potencial de enriquecer nossa vida com imagens ricas demais, complexas demais, metafóricas demais. Melhor sentir os sonhos que interpretá-los; deixo esta tarefa para os psicanalistas. Prefiro sê-los.
Não cheguei a tanto, mas nos últimos tempos tenho valorizado bastante o Sonho. Não é apenas a evidente constatação de que o sonho influencia a vigília e vice-versa. Como quando o sonho lembrado define o estado de espírito de seu dia. Ou quando você vai dormir com um problema e sonha com ele. É a realização de que ambos são estados da mente igualmente autênticos e verdadeiros.
Para princípio de conversa, é muito simplório considerar a realidade desperta como a única válida somente porque podemos tocá-la: isto é coisa de gente materialista sem imaginação. Uma vez eu estava sonhando que voava sobre Florença, em um entardecer deslumbrante cheio de silêncio e cores. Percebi que sonhava e diante de tanta beleza e da sensação de liberdade infinita, pensei dentro do sonho: “se voar assim em sonho é tão bom, vou acordar para usufruir desta sensação na realidade, que é muito melhor”. Abri os olhos, percebi o teto e me disse: “seu e-s-t-ú-p-i-d-o, idiota: imbecil!”.
Ultimamente tenho aprendido muito com meus sonhos. Óbvio que não sou nenhum Kekulé, o químico que descobriu o formato do benzeno quando sonhou uma cobra que mordia o próprio rabo. O que eles têm me contribuído é de ordem emocional. Tive uns diálogos absolutamente plausíveis, que de tão concretos hoje os considero parte da minha experiência vivida, até porque não tinham nada de onírico ou fantástico. Neles eu conseguia interferir no desenrolar do sonho, escolhendo e pensando o que dizer, como se eu estivesse tendo conversas banais. Só que não eram banais: eram conversas que nunca tive com pessoas com as quais nunca mais falarei. Disse o que queria, fiz o que era preciso, e vi atitudes que sempre intuí que existiam, mas nunca havia presenciado. Alma apaziguada. Ponto final.
Agora, depois destas experiências, vejo que o sonho é de uma concretude emocional tão grande que posso assimilar este estado como tão objetivo quanto estar acordado. E isto serve também para sonhos mais descabelados e fabulosos, porque o que interessa não é o contexto ou a lógica (se bem que às vezes a falta de lógica é o melhor deles...). Meus sonhos são reais, pois eu os sinto. Logo, existem. E verdadeiramente eu compreendo que vivi aquilo, incorporando as emoções sentidas e fazendo-as parte da minha experiência de vida.
Eu acho sem graça buscar explicações para os sonhos. É empreitada demasiado racional, que esteriliza o potencial de enriquecer nossa vida com imagens ricas demais, complexas demais, metafóricas demais. Melhor sentir os sonhos que interpretá-los; deixo esta tarefa para os psicanalistas. Prefiro sê-los.
domingo, 17 de outubro de 2010
O fim do Tédio é o início da Vontade
Foi-se aquele tédio pessoano do “desgosto íntimo e espiritual da variedade e da incerteza do mundo”.
Imerso integral e amplo aberto ao impacto do mundo. Delícias e dolores proporcionados por viver nele, dele e com ele.
Já acho, também pessoanamente, que “para quem age, a oportunidade é um episódio da vontade”, pois a oportunidade só existe se aproveitada, e para realizá-la é preciso gana e impulso. Viver, e não apenas deixar-se levar pelo existir. E, baseado nessa vontade, deixar marca no mundo.
E a vida, paradoxal, confusa, contraditória e caótica, é justo a massa amorfa com a qual modelamos nosso destino.
Imerso integral e amplo aberto ao impacto do mundo. Delícias e dolores proporcionados por viver nele, dele e com ele.
Já acho, também pessoanamente, que “para quem age, a oportunidade é um episódio da vontade”, pois a oportunidade só existe se aproveitada, e para realizá-la é preciso gana e impulso. Viver, e não apenas deixar-se levar pelo existir. E, baseado nessa vontade, deixar marca no mundo.
E a vida, paradoxal, confusa, contraditória e caótica, é justo a massa amorfa com a qual modelamos nosso destino.
domingo, 10 de outubro de 2010
Diálogos Verídicos
Wit : a natural aptitude for using words and ideas in a quick and inventive way to create humour (New Oxford Dictionary)
- Ai, meu namorado sempre pede o mesmo prato, em todo restaurante que vamos!
= Quer dizer que ele consegue comer a mesma coisa, sem enjoar, todo dia?
- Pois é!
= Casa logo com ele, minha filha, homem assim é para vida inteira!
- Você já me disse 3 qualidades suas. Me diga agora 3 defeitos.
= Olha, eu não me lembro de nenhum agora, mas liga para minha esposa que ela vai te dizer vários.
= Devo admitir que sou mais limitado que você: eu só gosto de música boa.
= Saulo, acho que você está enganado: se beleza para mim fosse critério, eu não tinha contratado você...
- Motivo da viagem?
= Turismo.
- Possui família neste país?
= Não, não possuo.
- Tem certeza?
= Até onde sei, tenho certeza, sim. (as far as I know, yes, I´m sure)
= Olha, eu não gostava deles nem quando eles eram bons.
= É mesmo? Que bom!
- Como assim?
= É que isto me facilita viver em sociedade...
= Olha, eu até pensei nisso, mas desisti porque o trajeto de casa para o trabalho ia ficar muito longo...
(“Ai que saco, mais uma que vem com essa”)
= É porque cigarro causa impotência.
- Você é doido?!?
= Não, é que sou insaciável na cama e nenhuma mulher me aguenta, por isso decidi fumar para ver se diminuía meu “entusiasmo”.
= O mundo todo, não. Acho que deve ter uns 3% da população mundial que é mais inteligente que eu.
- Ai, meu namorado sempre pede o mesmo prato, em todo restaurante que vamos!
= Quer dizer que ele consegue comer a mesma coisa, sem enjoar, todo dia?
- Pois é!
= Casa logo com ele, minha filha, homem assim é para vida inteira!
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(na entrevista de emprego)- Você já me disse 3 qualidades suas. Me diga agora 3 defeitos.
= Olha, eu não me lembro de nenhum agora, mas liga para minha esposa que ela vai te dizer vários.
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- Viu só, meu irmão, mesmo sendo muito mais velha que nossa prima adolescente, eu ouço as mesmas músicas que ela. Gosto de T-O-D-O tipo de música!= Devo admitir que sou mais limitado que você: eu só gosto de música boa.
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- Chefe, tá aqui o currículo de uma amiga minha, ela é excelente profissional, mas já aviso que não é bonita.= Saulo, acho que você está enganado: se beleza para mim fosse critério, eu não tinha contratado você...
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(na imigração)- Motivo da viagem?
= Turismo.
- Possui família neste país?
= Não, não possuo.
- Tem certeza?
= Até onde sei, tenho certeza, sim. (as far as I know, yes, I´m sure)
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- Então você não gosta dos Titãs, né?= Olha, eu não gostava deles nem quando eles eram bons.
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- Eu, como sua médica, tenho de alertá-lo que excesso de bebida danifica os seus neurônios!= É mesmo? Que bom!
- Como assim?
= É que isto me facilita viver em sociedade...
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- Nossa, os apartamentos aí no Rio estão muito caros! Porque você não compra um aqui em Salvador?= Olha, eu até pensei nisso, mas desisti porque o trajeto de casa para o trabalho ia ficar muito longo...
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- Você fuma demais! Por que, hein?(“Ai que saco, mais uma que vem com essa”)
= É porque cigarro causa impotência.
- Você é doido?!?
= Não, é que sou insaciável na cama e nenhuma mulher me aguenta, por isso decidi fumar para ver se diminuía meu “entusiasmo”.
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- Então você se acha mais inteligente que todo mundo?= O mundo todo, não. Acho que deve ter uns 3% da população mundial que é mais inteligente que eu.
domingo, 3 de outubro de 2010
Liberdade e Responsabilidade
É comum se pensar que ser livre é ser irresponsável e inconsequente, e é evitar tomar decisões.
Pelo contrário: quem não é capaz de se decidir acaba que a vida decide por ele. E as consequências de nossos atos existem e nos afetam, mesmo que não se queira pensar nelas. Por isso o indeciso inconsequente torna-se vítima das circunstâncias, e deixa assim de ser dono de seu próprio destino.
Somente é realmente livre quem não age com a má-fé de culpar os outros, e toma para si a responsabilidade do que acontece consigo mesmo.
Pois, ao fim e ao cabo, usufruir de nossa liberdade é saber jogar com a mão de cartas que a vida nos dá.
Pelo contrário: quem não é capaz de se decidir acaba que a vida decide por ele. E as consequências de nossos atos existem e nos afetam, mesmo que não se queira pensar nelas. Por isso o indeciso inconsequente torna-se vítima das circunstâncias, e deixa assim de ser dono de seu próprio destino.
Somente é realmente livre quem não age com a má-fé de culpar os outros, e toma para si a responsabilidade do que acontece consigo mesmo.
Pois, ao fim e ao cabo, usufruir de nossa liberdade é saber jogar com a mão de cartas que a vida nos dá.
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